ChatGPT passa a mostrar 6x mais o WhatsApp das empresas: estudo com 65 mil respostas

Luiz Camargo
Especialista em tornar marcas visíveis nas IAs
Com o GPT-6, o ChatGPT passou a mostrar 6x mais o WhatsApp das empresas, e 11x em buscas locais. Veja os dados por setor e como aparecer.
Desde a chegada do GPT-6, em 7 de outubro de 2026, o ChatGPT passou a fazer algo que quase não fazia: mostrar o WhatsApp das empresas locais que recomenda. Quem pergunta por um chaveiro, uma farmácia de manipulação ou uma imobiliária na sua cidade agora recebe, com frequência, o número pronto para chamar e, às vezes, um botão "Chamar no WhatsApp".
Na Promptado, monitoramos todos os dias como as marcas aparecem nas respostas do ChatGPT. Comparamos mais de 65 mil respostas aos mesmos prompts, antes e depois do GPT-6. Resumo do que encontramos:
-
6 vezes mais WhatsApp: respostas com "WhatsApp" seguido de um número de telefone passaram de 0,64% para 3,7%.
-
É um fenômeno local: em buscas locais, a taxa foi de 1,0% para 11,2%. Nas demais, ficou praticamente igual.
-
Urgência multiplica: em buscas locais com "24h", "urgente" ou "hoje", 34% das respostas trazem o WhatsApp de alguém.
-
Saúde lidera: 1 em cada 8 respostas do setor já traz um WhatsApp. Construção teve o maior salto, de 0,4% para 11,5%.
Em resumo, para negócios locais o ChatGPT virou um canal que leva o cliente direto para a conversa. A pergunta passa a ser de quem é o número que aparece.
Como analisamos 65 mil respostas do ChatGPT
Usamos as respostas que a Promptado coleta diariamente no ChatGPT, sem login, para os prompts monitorados das marcas ativas na plataforma. São perguntas reais de compra e contratação, em português, de 14 setores.
| Período | Respostas | |
|---|---|---|
| Antes (modelo anterior) | 10 de setembro a 4 de outubro | 49.342 |
| Depois (GPT-6) | 9 a 15 de outubro | 16.331 |
Deixamos de fora de 5 a 8 de outubro, que foi a transição. Só entraram na conta os 2.520 prompts que rodaram nos dois períodos, então a diferença vem do modelo e não de perguntas novas.
Contamos uma resposta como "com WhatsApp" quando o texto traz a palavra WhatsApp seguida de um número de telefone, como em "WhatsApp: (11) 98765-4321". Menções ao WhatsApp como produto, do tipo "automação de WhatsApp", ficaram de fora.
![]()
O ChatGPT passou a entregar o WhatsApp 6 vezes mais
Em setembro, 1 em cada 156 respostas trazia um WhatsApp com número. Depois do GPT-6, passou a ser 1 em cada 27.
A menção ao WhatsApp em geral também cresceu, de cerca de 8,5% para 12,3% das respostas. Mas o que mais mudou foi o tipo de menção: antes, o WhatsApp aparecia como assunto ("empresas que atendem por WhatsApp"); agora aparece como contato, com o número ao lado do nome da empresa.
O formato ajuda a explicar. Com o GPT-6, cada empresa recomendada virou um card com foto, nota, endereço e telefone, como mostramos no estudo sobre o que muda para GEO com o GPT-6. O WhatsApp entrou como um dos campos desse card.
Na maior parte das vezes, o número vem como texto
Em cerca de 4% das respostas que citam WhatsApp, o número vira um link clicável para o wa.me, que abre a conversa direto no aplicativo. Nos demais casos, o número aparece como texto, e quem quer chamar precisa copiar.
Os links aparecem como botões com textos de ação, escritos pelo próprio ChatGPT:
-
"Chamar no WhatsApp"
-
"Pedir orçamento pelo WhatsApp"
-
"Agendar pelo WhatsApp"
-
"Falar pelo WhatsApp"
Em pelo menos um caso, o ChatGPT foi além e escreveu a mensagem pronta para o usuário enviar à empresa pedindo orçamento.
A busca local é o que faz o WhatsApp aparecer
Separamos os prompts em locais e não locais usando o próprio ChatGPT como juiz: um prompt é local quando, antes do GPT-6, a resposta vinha com mapa em pelo menos metade das vezes.
| Tipo de busca | Antes | Depois (GPT-6) | Variação |
|---|---|---|---|
| Local | 1,0% | 11,2% | 11x |
| Local com urgência | 4,6% | 34% | 7x |
| Não local | 0,46% | 0,58% | estável |
Todo o aumento veio das buscas locais. Uma pergunta como "assistência técnica de informática no Brasil" continua sem WhatsApp. Já "conserto de celular urgente em [cidade]" passou a trazer.
A urgência só faz efeito quando a busca é local. Em buscas não locais com "urgente" ou "24h", a taxa foi de zero nos dois períodos. Faz sentido: quem precisa de um chaveiro agora quer falar com alguém, não ler um site.
![]()
Perguntas curtas e de quem quer resolver trazem mais WhatsApp
Dentro das buscas locais, o jeito de perguntar também pesa:
| Tipo de pergunta (busca local) | Exemplo | Com WhatsApp depois |
|---|---|---|
| Serviço + cidade | "adesivos personalizados em [cidade]" | 15,7% |
| Contato | "onde marcar consulta com [especialidade] em [cidade]" | 15,5% |
| Busca de fornecedor | "melhor eletricista em [cidade]" | 10,5% |
| Informacional | "quais as opções de [serviço] em [cidade]?" | 4,0% |
As perguntas mais diretas, de quem já decidiu contratar, são as que mais recebem um número para chamar. Perguntas para entender ou comparar recebem bem menos.
Saúde, construção e serviços lideram
| Setor | Antes | Depois (GPT-6) | Variação |
|---|---|---|---|
| Saúde e bem-estar | 2,3% | 13,1% | 5,7x |
| Construção e materiais | 0,37% | 11,5% | 31x |
| Serviços profissionais | 0,40% | 6,9% | 17x |
| Turismo e hospedagem | 0,38% | 4,9% | 13x |
| Alimentação e bebidas | 1,2% | 4,7% | 3,8x |
| Indústria, agro e logística | 0,45% | 4,6% | 10x |
| Imóveis | 0,64% | 4,2% | 6,7x |
| Educação | 0,18% | 2,3% | 13x |
| Veículos e mobilidade | 0,07% | 1,9% | 25x |
| Tecnologia e SaaS | 1,4% | 2,1% | 1,5x |
| Varejo e e-commerce | 0% | 0,5% | novo |
| Marketing, mídia e finanças | 0% | 0% | sem mudança |
O padrão segue a busca local. Clínicas, instaladores, chaveiros, eletricistas e imobiliárias atendem uma região, e é para eles que o ChatGPT passou a entregar o WhatsApp. Empresas de tecnologia, marketing e finanças, que atendem o país todo e vendem pelo site, quase não foram afetadas.
![]()
O WhatsApp que aparece nem sempre é o seu
Lendo as respostas com link, vimos três situações que importam para quem tem um negócio local:
-
O ChatGPT copia o número de onde encontra. As próprias respostas dizem de onde veio o contato: "WhatsApp divulgado no site", "canais informados no site oficial", "fonte: site oficial e perfil comercial". Se o seu número não está fácil de achar, ele não aparece.
-
Muitas vezes, o número é do concorrente. Em vários prompts monitorados, a empresa aparecia na resposta, mas o botão de WhatsApp levava a outra empresa da mesma cidade. Quem clica conversa com quem tem o botão.
-
Às vezes, o número sai errado. Encontramos links sem o DDD, um DDD confundido com o código do país e números antigos sem o nono dígito. O link abre uma conversa que não existe, e o cliente desiste.
Um sinal na direção contrária: em perguntas de atendimento de marcas nacionais, como "como falar com o SAC da marca X", o WhatsApp com número ficou menos frequente, de 9,3% para 2,6%. Nesses casos, o GPT-6 parece preferir mandar para o site ou o formulário oficial.
Como fazer o ChatGPT passar o seu WhatsApp
-
Publique o WhatsApp como link completo no site. Use o formato
wa.me/55+ DDD + número, sem espaços, como emwa.me/5511987654321. É desse link que o ChatGPT copia, e um número incompleto vira link quebrado. -
Escreva o número também em texto, com DDD. "WhatsApp: (11) 98765-4321" no rodapé ou na página de contato. Diga que atende por WhatsApp e em que horário. As respostas citam empresas que "divulgam atendimento por WhatsApp".
-
Coloque o WhatsApp no Perfil da Empresa no Google. Nota, endereço e telefone dos cards vêm em boa parte de lá.
-
Use o mesmo número em todos os lugares. Site, Google, Instagram e diretórios. Números diferentes confundem o modelo, que pode escolher o errado.
-
Marque o contato com dados estruturados. No schema
LocalBusiness, preenchatelephonecom o número no formato internacional. -
Acompanhe as perguntas que trazem WhatsApp. São as do tipo "serviço + cidade", com ou sem urgência. Veja se o número que aparece é o seu, de um concorrente ou um link quebrado.
Escopo deste estudo
-
O período depois tem 7 dias. São primeiras semanas do GPT-6, e o comportamento do modelo pode mudar.
-
Medimos o ChatGPT gratuito, sem login. É a experiência da grande maioria dos usuários. Os planos pagos podem responder diferente.
-
A amostra reflete os setores monitorados na Promptado. As porcentagens por setor mostram tendências, não o mercado inteiro.
-
O card faz parte do GPT-6. Parte do aumento vem do novo formato em cards, que tem um campo para telefone. Consideramos isso uma mudança do próprio ChatGPT, porque é o que o usuário vê.
Fontes
-
Dados de monitoramento da Promptado, de 10 de setembro a 15 de outubro de 2026.
